Coisas minhas, minhas coisas..
martes, 12 de mayo de 2015
Goodbye
We used to be best friends forever
That kind of friendship that everybody wants
But not everyone can have
One knows when the other was in pain and
We used to call each other late night just to say "I love you"
Make popcorn, watch TV and spend the entire afternoon doing nothing.
And then, we did it all over and over again.
But we fight for real this last time
And now, we're like dust and wind
For sure, I'm the dust and you are the wind
You always was and so do I.
I thought that I were some kind of special person
You used to say stuff like that all the time
But now I know that a special person can be replaced
Anytime, for any reason
'Cause you did it and I did it too.
But the difference between you and me was that
I had to do things like this many times in my life
Because I was lost
And in my head everything was always a mess
And I felt that my heart was broken
And I did it so many times
That I don't know how to count this anymore.
But the truth is that my heart has never been broken as now
And you... You thought you knew many things about me
But you don't
You just did what was easier for you to do
And who am I to blame you for that?
Just because I was always on your side
And did my best to see you smile
That doesn't mean that you have to understand that I'm broken inside.
And that when I disappear or say nothing for hours straight
I'm just trying to pick up the remaining pieces of me
In vain.
And now I can understand
You were also lost
'Cause you were always trying to live in Never Land
And I were always trying to put your feet back on the floor.
Neither of us could be more wrong.
So, do me a favor and be who you want to be
Live where you want to live.
Because, today, I wish you happiness
And nothing more.
We were important when we had to be
And now we're just dust and wind
Nowhere and everywhere
And that's all we have.
jueves, 28 de agosto de 2014
Assim, bem assim...
“Um dia, depois de viver sem tédio muitos iguais, viu-se diferente de si mesma. Estava cansada. Andou de um lado para outro. Ela própria não sabia o que queria. Pôs-se a cantar baixinho, com a boca fechada. Depois cansou-se e passou a pensar em coisas. Mas não o conseguia inteiramente. Dentro de si algo tentava parar. Ficou esperando e nada vinha para ela. Vagarosamente entristeceu de uma tristeza insuficiente e por isso duplamente triste. Continuou a andar por vários dias e seus passos soavam como o cair de folhas mortas no chão. (...) Na verdade ela sempre fora duas, a que sabia ligeiramente que era e a que era mesmo, profundamente.”
Perto do coração selvagem - Clarice L.
A flor e a náusea
Uma flor nasceu na rua!
Passem longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
É feia. Mas é flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade
viernes, 18 de julio de 2014
Hoje eu tô mais pra Pessoa que pra Manoel
[...]
"E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
[...]
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sendo vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza."
Álvaro de Campos
martes, 15 de julio de 2014
Outra vez Manoel. Sempre Manoel.
Tratado geral das grandezas do ínfimo
A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias
(do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado (e chorei).
Sou fraco para elogios.
Manoel de Barros
Sobre esse poema, retomo as palavras de um colega sobre outro excerto de Manoel de Barros:
"Manoel é Maravilhoso. Maior poeta que existe pra mim também, leio poemas dele e fico em um estado fora de mim... queria eu ter esse talento."
(HEATHCLIFF, Gabriel, 2014)
O mais bonito poema do mais bonito poeta.
Retrato do artista quando coisa
A maior riqueza do homem é sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou — eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre
portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora,
que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora,
que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
Manoel de Barros
Aprender a voar fora da asa. Isso sim. É isso.
As coisas não querem mais ser vistas por
pessoas razoáveis:
Elas desejam ser olhadas de azul -
Que nem uma criança que você olha de ave.
(Manoel de Barros - O livro das ignorãnças)
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