domingo, 3 de junio de 2012

Amor, meu grande amor..



Se não fosse esse nosso
imenso e difícil amor.
Não fosse esse imenso abismo entre nós,
eu te convidaria a dançar
o meu último bolero.

Antonio Bivar


Engraçado, não? 

Mudam-se as pessoas, mudam-se os sentimentos, muda-se a intensidade do desejo, mas o final... ahhhh, o final não muda nunca. E eu sei bem o porquê... É que, apesar de mudarem os "vocês", o "eu" continua sendo o mesmo. É isso.

Então, vim aqui me despedir de você. Desse novo você, que agora lê o adeus do velho eu. Isso mesmo. Não me entenda mal... É que eu não quero que a gente se acostume a dizer que se ama, sem sentir o que é isso. Eu sei que é estranho, mas eu quero que você olhe aquele banco com o mesmo olhar de quem vê o mar pela primeira vez. Não com o olhar de quem se despede, ou de quem guarda, sim, recordações, mas que não gostaria. Consegue entender? 

É que eu quero que você me ligue, mas somente quando tiver vontade, quando sentir saudades: não por necessidade de informar onde está, o que está fazendo, aonde vai, com quem vai, nem muito menos pra me cobrar tais informações. Quero que você me diga que sentiu saudades, sim, mas só se tiver sentido mesmo: não por que as regras mandam, e um "namorado" que não diz que sente saudades da namorada, um minuto depois de estarem separados, não a ama de verdade. Eu quero que você queira me ver, a qualquer minuto do seu dia: não somente quando chega o fim de semana, e você se sentirá obrigado a estar comigo. Eu quero mesmo é que você, ao me vir, me abrace longamente, e eu possa sentir no pé do meu ouvido sua respiração ofegante, como quando fazemos amor. E, mais que isso, eu quero que façamos sempre amor, mesmo que nosso "sempre" dure apenas um dia.

E quero, principalmente, que você não me ligue, não me procure, não me sufoque, não me cobre respostas que eu não sei te dar e não me desaponte. E quero que você não esteja disponível sempre que eu ligar, ou não aceite quaisquer desculpas que eu der, depois de tanto tempo sem dar sinal de vida. Quero que você esbraveje, sem gritar, e puxe minha orelha, sem me repreender. 

Quero sim que você sinta ciúmes, mas que não me culpe por isso. Eu não faço por mal e, se fizer, não faça o mesmo: seja você. Eu quero, querido, que você viva, cresça e não dependa de mim pra nada. Eu não vou mudar. Eu não sou capaz de te mudar e, por mais que eu queira, não sou capaz de passar uma borracha em nossos passados, muito menos curar seu coração de todas as feridas. Era essa sua intenção? Não era a minha.

Eu quero, também, que você tente me desculpar por todas as vezes que você se sentiu mal em relação à mim. Confesso, algumas vezes eu fiz por querer, mas na grande maioria, eu só queria mesmo era um espaço pra fazer crescer, de uma vez, esse novo eu que eu tanto anseio.

Me lembro de ter prometido à você, que o ensinaria a ler poesias. Mas eu sei que você não precisa aprender nada: você as sabe de cor. Se não as poesias mais conceituadas, as mais sublimes, como as que dizem respeito às curvas do meu corpo. Ou àquelas, as quais certa vez recitou para mim em uma das centenas de longas conversas que tivemos, e que sempre invadiram madrugada a dentro. Ta aí outra coisa que não quero perder: nossas inesquecíveis conversas. Não quero que nossas risadas se transformem em acusações sem sentido, que nossas palavras se transformem em navalhas.

Não quero que nossos olhares busquem eternamente ir ao encontro um do outro, mas que venham de encontro sempre que puderem; sempre que quiserem, se assim desejarem. 

E não quero NUNCA, JAMAIS, perder meu melhor amigo, aquele em quem confio, aquele que eu verdadeiramente amo desde que conheci. Se hoje eu digo que te amo, que desejo sua felicidade, seja com quem for, como for, e afirmo sempre que você pode confiar em mim pra tudo, que pode me dizer o que quiser, isso não quer dizer que eu não o ame "daquele jeito". Quer dizer, apenas, que eu te amo tanto, mas tanto, que sou capaz de abrir mão de tudo (o que eu gostaria, é claro) só pra ver um sorriso no seu rosto. Só pra ouvir você me dizer que não esperava uma atitude como essas. Pra ouvir você me dizer: eu te amo. Sem "mais", sem "também", sem "você não me ama", sem "você me esqueceu". Só "eu te amo". Sem perspectivas, sem decepções, sem reticências. 

E já que é pra acabar de vez com as reticências, que tal colocar um ponto nessa história. Não, não.. Não um ponto final, mas eu acho que "ponto-parágrafo" seria uma boa, não acha? Melhor ainda se depois do ponto, a gente puder virar a página e iniciar um novo parágrafo. Se você concordar... eu já topei! 

E pra terminar, amigo, eu quero te dizer que sinto sua falta todos os dias, penso em você sempre que ouço John Mayer, ou estou em aula de literatura brasileira... ou simplesmente quando vejo a chuva cair. Quero te dizer, que todos os dias eu tenho uma vontade louca de te ligar do nada e dizer que senti sua falta. Que tenho vontade de te mandar músicas que eu penso combinar com nós dois e, ao mesmo tempo, matar o Armandinho por ter inventado aquela maldita música. Mas sabe do que mais? Eu guardo todas essas vontades pra mim, esperando que um dia você também as tenha. E, acredite você ou não, mesmo quando eu "estou de ovo" virado, a melhor coisa do meu dia é ouvir sua voz e, melhor ainda, ouvir você dormir...

May :)

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